Demografia dos Apostadores em Portugal: Perfil e Dados

Pessoas a assistir a corridas de cavalos num hipódromo europeu ao ar livre

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Durante anos, imaginei o apostador típico português como um homem de meia-idade num café a preencher um boletim de futebol. Os dados do SRIJ destruíram essa imagem. O apostador português é mais jovem, mais digital e mais diversificado do que qualquer estereótipo sugere — e compreender este perfil é essencial para quem quer perceber para onde o mercado se dirige.

O número de contas registadas em plataformas de jogo online em Portugal atingiu quase cinco milhões no final de 2025. Num país com cerca de dez milhões de habitantes, este número representa uma penetração notável que atravessa faixas etárias, regiões e estratos sociais.

Perfil Demográfico

O dado mais revelador: 77% dos jogadores registados em Portugal têm menos de 45 anos, com o segmento 25-34 a representar um terço do mercado. Este é um mercado jovem, moldado pelo digital, habituado a interfaces móveis e com expectativas de experiência de utilizador que os operadores mais tradicionais lutam para satisfazer.

A presença da juventude nos hipódromos britânicos subiu 17% em 2025, atingindo 211 447 visitantes com menos de 18 anos. Este dado do Reino Unido mostra que, no mercado certo com a estratégia certa, os jovens podem ser atraídos para as corridas de cavalos. O desafio em Portugal é que não existem hipódromos ativos nem tradição cultural que sirva de porta de entrada.

A distribuição por género, embora o SRIJ não publique dados detalhados nesta dimensão, segue a tendência europeia: o mercado de apostas desportivas é predominantemente masculino (acima de 80%), com as mulheres mais representadas no casino online e no bingo. Nas corridas de cavalos, a divisão por género no Reino Unido é mais equilibrada do que noutros desportos — Royal Ascot, por exemplo, atrai uma audiência próxima da paridade de género — mas no contexto das apostas online, o perfil mantém-se predominantemente masculino.

A dimensão geográfica dentro de Portugal também é relevante. A concentração de atividade tende a acompanhar as áreas urbanas (Lisboa, Porto) e as regiões com maior penetração de internet e serviços financeiros digitais. As regiões do interior, com menor acesso digital e população mais envelhecida, têm taxas de participação significativamente inferiores.

Tendências de Comportamento

O apostador português jovem é, na sua essência, um apostador de futebol. O futebol domina 75% de todas as apostas desportivas no quarto trimestre de 2025. O segundo desporto mais apostado varia por temporada — ténis e basquetebol alternam nas posições seguintes — mas nenhum se aproxima do domínio do futebol.

Os padrões de consumo revelam uma preferência por apostas múltiplas (acumuladores) e mercados ao vivo. As apostas pré-jogo simples, que foram a norma durante décadas, representam uma percentagem decrescente do volume total. O apostador jovem quer interação em tempo real — apostar enquanto o evento decorre, reagir a acontecimentos, sentir que está a participar e não apenas a observar.

O casino online é o outro polo de atração. Mais de 63% da receita do jogo regulado vem do casino, com as slots a representar 80% das apostas. Para operadores e reguladores, este domínio do casino significa que os recursos de marketing, desenvolvimento e compliance estão orientados para este segmento — deixando pouco espaço para produtos de nicho como as corridas de cavalos.

Os métodos de pagamento também revelam o perfil: MB Way é o método dominante em Portugal, seguido pelos cartões e pelos e-wallets internacionais. A facilidade de depósito instantâneo via telemóvel reduziu a fricção de entrada e contribuiu para o crescimento explosivo das contas registadas.

O Hipismo e o Seu Potencial

A pergunta que me interessa não é “por que é que os portugueses não apostam em corridas de cavalos?” — a resposta a essa é óbvia (falta de tradição, ausência de corridas nacionais, zero cobertura mediática). A pergunta relevante é: “existe potencial para captar parte deste mercado jovem e digital?”

Acredito que sim, por três razões. Primeira: as corridas de cavalos oferecem algo que o futebol não oferece — corridas a cada vinte minutos durante todo o dia, seis dias por semana. Para o apostador que quer ação constante (e os dados mostram que é isso que o apostador jovem procura), as corridas são o produto perfeito.

Segunda: o nível de análise possível nas corridas é mais profundo do que em qualquer outro desporto. Para o apostador que se orgulha de “estudar o jogo” — e há muitos nesta faixa etária — as corridas de cavalos oferecem dados, métricas e variáveis que tornam cada corrida um puzzle analítico único. É o desporto ideal para quem gosta de data e estratégia.

Terceira: os mercados são acessíveis. Os operadores licenciados em Portugal que oferecem corridas britânicas e irlandesas dão acesso a mercados profundos, odds competitivas e streaming ao vivo. A barreira não é tecnológica — é de conhecimento e de língua. E é aqui que conteúdo em português europeu, com análise adaptada ao contexto do apostador português, pode fazer a diferença.

Há um paralelo interessante com o que aconteceu no Reino Unido: a presença de jovens com menos de 18 anos nos hipódromos britânicos cresceu 17% em 2025, atingindo 211 447 visitantes. Este crescimento não foi acidental — resultou de programas de atração juvenil, eventos temáticos e uma presença ativa nas redes sociais por parte dos hipódromos. Sem hipódromos ativos em Portugal, o equivalente digital seria conteúdo educativo em plataformas que os jovens frequentam, cobertura acessível dos grandes eventos e ferramentas de análise intuitivas que reduzam a curva de aprendizagem.

O mercado português de apostas tem uma base jovem, digital e sofisticada. Falta-lhe apenas descobrir as corridas de cavalos. O papel de plataformas como esta é construir essa ponte — com dados, com análise, com conteúdo que transforme curiosidade em competência. Para uma introdução completa ao mundo das apostas hípicas, o guia completo sobre apostas em corridas de cavalos é o ponto de partida ideal.

Qual a faixa etária predominante entre os apostadores portugueses?
Segundo os dados do SRIJ, 77% dos jogadores registados em plataformas de jogo online em Portugal têm menos de 45 anos. O segmento 25-34 anos é o mais representativo, constituindo aproximadamente um terço de todos os utilizadores registados. Este perfil jovem é consistente com as tendências observadas noutros mercados europeus regulados.
Os jovens estão mais interessados em apostas hípicas ou desportos tradicionais?
Atualmente, os jovens apostadores portugueses estão esmagadoramente orientados para o futebol, que representa 75% das apostas desportivas. As corridas de cavalos não têm presença significativa no mercado português, sobretudo por falta de tradição cultural e de corridas nacionais. No entanto, no Reino Unido e na Irlanda, a juventude nos hipódromos cresceu 17% em 2025, demonstrando que, com a abordagem certa, as corridas podem atrair público jovem.